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Desvendando o Mistério: Por Que Você Acorda Exausto Mesmo Depois de Dormir?

redacao by redacao
27/08/2026
in Últimas Notícias
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Desvendando o Mistério: Por Que Você Acorda Exausto Mesmo Depois de Dormir?
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O despertador toca após sete ou oito horas de sono, mas a sensação é de que a noite mal serviu para recuperar as energias. O corpo ainda se sente cansado, levantar da cama é um desafio e, ao longo do dia, a sonolência, a dificuldade de concentração e os esquecimentos se tornam companheiros constantes. Muitas vezes, essa rotina é atribuída ao estresse ou à sobrecarga de trabalho, mas essa não é a única explicação.

A duração do sono não é sinônimo de qualidade. Para que o descanso seja realmente reparador, é necessário que o corpo passe pelas diferentes fases do sono de forma adequada, sem interrupções. Distúrbios que fragmentam esse processo podem levar à sensação de cansaço, mesmo após um número suficiente de horas de sono.

O neurologista Paulo Henrique Silva, da Hapvida, ressalta a importância de prestar atenção em como a pessoa se sente ao acordar e durante o dia. “Avaliar o sono apenas pela quantidade de horas é uma visão limitada. Alguém pode dormir entre sete e oito horas, mas se houver múltiplas interrupções, mesmo que não percebidas, a qualidade do sono fica comprometida. Isso resulta em cansaço ao acordar, sonolência diurna e lapsos de memória”, explica.

Ronco: um sinal para ficar alerta

Um dos indícios que merece atenção é o ronco, especialmente quando se torna frequente e é acompanhado de pausas na respiração, engasgos ou sensação de sufocamento durante a noite.

O ronco ocorre pela vibração dos tecidos das vias aéreas durante a passagem do ar. Embora nem todos que roncam apresentem apneia obstrutiva do sono, o ronco persistente deve ser investigado. “Não é correto normalizar o ronco habitual, principalmente quando acompanhado de pausas respiratórias ou engasgos. A combinação de roncos com sonolência diurna e a sensação de sono não reparador deve ser um sinal para buscar avaliação médica”, alerta Silva.

O que acontece na apneia do sono?

Na apneia obstrutiva do sono, a passagem de ar é bloqueada repetidamente, resultando em interrupções que comprometem a oxigenação e causam pequenos despertares noturnos. Muitas vezes, o próprio paciente não percebe esses episódios, acreditando que dormiu a noite toda. “O cérebro reage a essas interrupções como um mecanismo de proteção, levando a microdespertares que não são lembrados pela manhã. O resultado é um sono fragmentado e não reparador, mesmo que a pessoa tenha dormido o número adequado de horas”, explica o especialista.

Consequências da apneia do sono

Os efeitos da apneia vão além do cansaço. Quando não diagnosticada e tratada, a condição pode aumentar o risco de sérios problemas de saúde. Segundo Paulo Henrique, aqueles que sofrem de apneia do sono não tratada têm maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, como infarto e AVC, além de estarem associados à obesidade e outras comorbidades.

Os impactos cognitivos também não devem ser ignorados. As flutuações na oxigenação e a fragmentação do sono têm sido ligadas a prejuízos cognitivos, e estudos indicam uma associação entre distúrbios respiratórios do sono e um aumento no risco de doenças neurodegenerativas. “A apneia não é apenas uma questão de ronco ou sono ruim. Ignorá-la pode significar um aumento no risco de condições graves como infarto, AVC e até Alzheimer”, enfatiza o neurologista.

Quem está mais vulnerável?

Vários fatores podem elevar o risco de desenvolver apneia obstrutiva do sono, como sobrepeso, circunferência do pescoço, idade e características anatômicas das vias aéreas. O consumo de álcool próximo ao horário de dormir também pode agravar a obstrução das vias aéreas.

As mulheres, especialmente após a menopausa, devem ser observadas com atenção, já que o risco de apneia aumenta nesse período. É importante notar que os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, o que pode dificultar o diagnóstico. “Existem fatores de risco, mas não existe um único perfil de paciente. É o conjunto de sintomas e a avaliação clínica que vão guiar a investigação”, explica Paulo Henrique.

Crianças também podem ser afetadas

Embora a apneia do sono seja frequentemente associada a adultos, ela também pode ocorrer em crianças. Sinais como ronco frequente, respiração pela boca e sono agitado devem ser avaliados. As manifestações durante o dia podem ser diferentes, com irritabilidade e dificuldades de atenção, em vez de apenas sonolência. “Roncar frequentemente não deve ser considerado normal em crianças”, alerta o médico.

Quando buscar ajuda?

Uma noite de sono ruim pode deixar qualquer um se sentindo fora de forma, mas o alerta deve ser dado quando esses sintomas se tornam rotina. Paulo Henrique Silva indica que sinais como roncos, sonolência excessiva, sensação de sono não reparador e esquecimentos frequentes não devem ser ignorados. “Se alguém dorme, mas ainda se sente cansado, apresenta sonolência durante o dia ou começa a esquecer coisas, é essencial investigar a qualidade do sono e possíveis distúrbios”, aconselha.

Como é feito o diagnóstico?

A investigação se inicia com uma avaliação clínica abrangente, envolvendo o histórico do paciente, seus hábitos de sono e sintomas noturnos e diurnos. Relatos de quem dorme ao lado também são valiosos, especialmente em casos de ronco ou pausas respiratórias. Dependendo da situação, pode ser necessário realizar uma polissonografia, que monitora parâmetros do sono para diagnosticar distúrbios.

O tratamento varia conforme a causa e a gravidade do problema, podendo incluir mudanças de hábitos e controle de fatores de risco. Em certos casos, dispositivos que mantêm as vias aéreas abertas ou tratamentos para alterações anatômicas podem ser indicados após avaliação especializada.

Para Paulo Henrique Silva, é crucial não aceitar o cansaço crônico como uma consequência inevitável da vida moderna. “Dormir bem é fundamental para a saúde. Se alguém dedica tempo ao sono, mas ainda apresenta ronco, sonolência diurna ou esquecimentos, é vital buscar ajuda. Identificar e tratar distúrbios do sono é uma forma de cuidar da saúde no longo prazo”, conclui.

No final das contas, contar horas de sono é apenas uma parte da equação. O mais importante é saber se, nesse tempo, o organismo realmente conseguiu descansar.

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